Os infelizes
Pe. Zezinho, scj
Há infelizes que
não fizeram por merecer sua infelicidade. Não eram e não são maus. Há os que a
merecem: cuspiram no prato que comiam. Mas isso de ser feliz não é tão simples
nem é tão mágico. Também não é tão difícil.
Há mistério nisso.
Muitos queriam ser felizes e o são. Muitos queriam e não são. Não se sabe de
ninguém que tenha orado a Deus pela graça de ser infeliz. Felicidade é o que
todos buscamos. Ela consiste num grau suficiente de satisfação e na descoberta
do bastante. É nesse bastante que muitos naufragam. Quando o "mais"
se torna "demais" a infelicidade começa a se manifestar. Quando o
suficiente começa a parecer "menos" é quando, também, o indivíduo
começa a ser infeliz.
O problema não
está, pois, no desejo: está na busca. Há quem busque de maneira factível e quem
busque de maneira errada, portanto impossível. Bebida demais, comida demais,
dinheiro demais, sucesso demais, projetos demais, conforto demais, tudo isso
acaba em saturação e a saturação está longe de ser satisfação, posto que o satisfeito
sabe que deve parar; enquanto que o saturado quer mais, mas não tem mais espaço
para este mais que ele quer. Acaba insatisfeito.
O mundo tem bilhões
de pessoas plenas e satisfeitas. Não querem mais do que possuem nem pretendem
ser muito mais do que são. Vovós e vovôs felizes não querem outra coisa além da
família que criaram, o conforto do lar que construíram e alguns encontros com
amigos e familiares. Não se iludem com isso de ter mais. Chegaram ao bastante e
ao suficiente. Vale dizer: ficaram sábios.
O ganancioso, o
desesperado por dinheiro, o que não reparte, o que acumula, o que compra o que
não precisa, o que precisa ter a mais recente novidade, o que devora e consome
o melhor do melhor, o que não hesita em pisar e roubar para ter o que deseja
pôs a sua felicidade no ter mais. Não lhe sobra espaço para ser mais. Faz um
vale-tudo para chegar ao topo. Ma todo o topo termina em descida. Não admitindo
descer, a infelicidade aparece, agora sem disfarce e sem amenidade.
Amigos tentam
prevenir, mas não são ouvidos. Familiares tentam orientar, mas ele não ouve.
Quer, porque quer, porque quer! Sabe, porque sabe, porque sabe! Ouve, mas não
escuta. Para ter o que deseja faz o que acha preciso: vira traidor, assaltante
ou quadrilheiro: rouba, desvia, engana, assalta, sobe o preço, mente mas quer
aquele dinheiro, aquele lucro, aquele lugar , aquele posto. Se algo não dá
certo acha alguns culpados; ele mesmo, nunca! É infelicidade solidamente
construída. Não veio por acaso!
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